quinta-feira, 24 de novembro de 2011

DICA RURAL DA SEMANA Nº 07 - Camomila é calmante e digestiva

Globo Rural On-line - João Mathias | Pedro Melilo de Magalhães

Apesar dos benefícios que traz à saúde, a planta ainda é pouco cultivada no Brasil




Trabalhos de seleção genética realizados em todo o mundo resultaram em variedades de alto rendimento da camomila (Matricaria chamomilla), cultura que ainda teve a seu favor a introdução da colheita mecanizada. O aumento da produtividade levou a erva a ganhar mais espaço.No Brasil, a camomila é a planta medicinal mais cultivada.


O plantio de camomila por aqui, no entanto, ainda é pequeno. A principal região produtora está localizada no entorno das cidades paranaenses de Mandirituba e São José dos Pinhais, onde mudas foram introduzidas por imigrantes poloneses e italianos. Naquela região, são manejados de 500 a 700 hectares por uma média de 80 a 100 agricultores, que produzem entre 450 e 500 quilos de flores secas por hectare.

O pequeno número de produtores no país restringe a disponibilidade de sementes selecionadas no mercado, dificultando a expansão do cultivo. A escassez da matéria-prima traz uma oportunidade para quem planeja fazer da atividade uma fonte de renda, inclusive com a produção de sementes.

Da camomila pode-se fazer chá calmante e digestivo com benefícios para consumidores de todas as idades. Seu efeito contribui para aliviar desde cólicas em bebês até o estresse provocado nas pessoas pela vida agitada. Ainda contém propriedades que fornecem ação anti-inflamatória e antisséptica. O chá também serve para realçar o tom dourado de cabelos louros. Em compressas, suaviza olheiras e inchaço dos olhos. Na indústria de cosméticos, o óleo essencial da camomila, chamado azuleno, é ingrediente ativo de vários produtos.

Composta de miúdas e levemente perfumadas flores de cor branca com miolo amarelo, a camomila pode ser usada como ornamentação. Semelhantes a margaridas em miniaturas, enfeita ambientes quando dispotas em canteiros ou vasos. Planta anual herbácea e muito ramificada, a camomila pode alcançar até 60 centímetros de altura. Embora seja resistente a pragas e doenças, necessita de cuidados no plantio. A gradagem pré-semeadura, por exemplo, ajuda a controlar a incidência de ervas invasoras na área do cultivo.

RAIO X

SOLO: areno-argiloso
CLIMA: temperado
ÁREA MÍNIMA: pode ser plantada em vasos
COLHEITA: quando 75% da plantação estiver florida
CUSTO: no fim do ciclo, as sementes são obtidas pelos próprios produtores para a próxima safra
MÃOS À OBRA

INÍCIO: Orientações técnicas e dicas detalhadas podem ser obtidas na Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural). O plantio da mandirituba, variedade que predomina na região da cidade do mesmo nome, no Paraná, registra rendimento médio de 2,5 mil quilos de flores frescas por hectare, ou 500 quilos de flores secas por hectare.

AMBIENTE: A camomila tem bom desenvolvimento em regiões de clima temperado, frio e úmido. A planta resiste a fortes geadas, mas o ideal é cultivá-la em locais com temperatura na faixa de 20 ºC. A luminosidade do ambiente influi diretamente no rendimento do óleo essencial que é extraído da flor.

PLANTIO: Apesar de pouco exigente, a camomila prefere solos areno-argilosos, argilo-arenosos e francos, sobretudo os permeáveis, leves e salinos, com pH entre sete e oito. Distribuídas a lanço e diretamente no local definitivo do plantio, as sementes miúdas devem ser misturadas com terra, areia ou fubá em uma proporção adequada. Por exemplo, se a calcareadeira estiver regulada para aplicar 100 quilos por hectare, utilize 96 quilos de fubá para quatro quilos de sementes puras. Aumente o contato das sementes com o solo passando um rolo compressor após a semeadura.

ESPAÇAMENTO: Se usar uma semeadora para distribuir as sementes em linha, o espaçamento deve ser de 20 a 30 centímetros entre linhas. Com a utilização de um calcareador, a semeadura é a lanço e sem qualquer espaçamento definido.

SEMENTES: Para a obtenção de sementes, os botões florais devem ser colhidos quando de 60% a 75% das plantas estiverem com as pétalas inclinadas para baixo em relação ao receptáculo. Separe as impurezas e seque a 35 ºC. É necessário conservar as sementes em ambiente com desumidificador e temperatura de 10 ºC.

PRODUÇÃO: Quando menos de 60% das plantas apresentarem pétalas abertas em 180 graus, está na hora de colher. Embora tenha rendimento baixo e alto custo, a colheita manual é a mais indicada, pois facilita a escolha pelos melhores botões. A adoção de colheitadeiras sofisticadas se justifica para grandes extensões de cultivo. Faça a secagem inicial ainda no campo, mantendo o material esparramado sobre mantas nos dois primeiros dias após a colheita. Cubra-o à noite. Em seguida, use um secador com temperatura de 35 ºC para eliminar toda a umidade no interior dos botões florais, evitando o desenvolvimento de larvas. Em geral, é feito o replantio após a colheita, pois o ciclo da camomila é anual.

*Pedro Melillo de Magalhães é pesquisador da divisão de agrotecnologia do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas Biológicas e Agrícolas da Unicamp; Caixa Postal 6171, CEP 13081-970, Campinas, SP, tel. (19) 2139-2891, pedro@cpqba.unicamp.br

Onde comprar: sementes podem ser adquiridas de produtores indicados pela Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural), Rua da Bandeira, 500, CEP 80035-270, Cabral, Curitiba, PR, SAC tel. (41) 3250-2166, sac@emater.pr.gov.br

Mais informações: pesquisador Cirino Corrêa Junior, da Emater Curitiba, tel. (41) 3250-2145, plamed@emater.pr.gov.br; e unidades da Emater em Mandirituba, Rua da Liberdade, 55, CEP 83800-000, tel. (41) 3626-1337; e em São José dos Pinhais, Rua Norbert de Brito, 1.180, CEP 83005-290, tel. (41) 3283-5435

Fonte: CNA/SENAR
Publicado em: 21/11/2011

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